Em tempos de eleição

By quinta-feira, setembro 18, 2014 , , ,


Antonio fazia uma caminhada pela calçada de seu bairro, quando avistou vários cavaletes de propaganda política na esquina seguinte. Decidiu dar uma parada na lanchonete. Já sentado, começou a observar os políticos.

Homens brancos, de terno, sorridentes. Alguns dos rostos já lhe eram familiar devido à insistência em aparecer em todas as esquinas, em santinhos e na televisão. Antonio se perguntou se algum deles sentia vergonha de ser político.

Afinal, andar com a cara estampada por aí, representando uma classe tão famosa pela desonestidade e incompetência não parece nada agradável. “A não ser que o dinheiro compense”.

Para Antonio, político é uma ofensa. “Tanto faz chamar de ladrão ou de político”. Sentiu vergonha alheia por aqueles homens de dentes brancos, que nem na aparência faziam questão de representar o povo. “Imagina na prática”.

Formado em medicina, Antonio nunca teve muito tempo para prestar atenção em política. Sabia pouco sobre o sistema democrático brasileiro, representatividade e o caramba a quatro.

Seus votos sempre foram baseados nas pesquisas de opinião antecedentes às eleições. Conhecia o Ibope e o Vox Populi. Mesmo assim, várias vezes discordou dos resultados apresentados, mas acreditava que não era possível tanta gente estar errada.

Ainda observando os cavaletes, Antonio questionou de que forma a população poderia identificar os candidatos honestos. “Com certeza não por essas imagens tão distantes, inconvenientes e genéricas”. Notou que até as poses deles eram idênticas.

O jovem médico terminou seu milk-shake, pediu a conta e focou em seus compromissos, sempre urgentes. “Porque estou perdendo meu tempo observando esses hipócritas?”

Levantou-se e continuou sua caminhada. Amassou o santinho que tinha em mãos e o jogou no chão, logo após pensar: “Não faz diferença quem ganha a eleição, pois o jogo é que é sujo”.

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