O cálculo da poupança mudou, mas e daí?

By quinta-feira, novembro 15, 2012



Se você não entende de economia e sempre preferiu a garantia do retorno – mesmo que mínimo – das suas aplicações, é provável que costume investir seu dinheiro na poupança, certo? Mas após a nova medida provisória do Banco Central, em que a taxa Selic foi atrelada ao cálculo da renda financeira daquele que era o investimento mais estável do país, é possível que você esteja revendo sua posição.
Até o dia 4 de maio, o critério de remuneração da poupança era de 5% ao mês (ou 6,17% ao ano) mais variação da Taxa Referencial (TR) – índice do governo para calcular o rendimento de diversos investimentos. Ou seja, se uma pessoa tinha mil reais aplicados na poupança, após um mês, teria pelo menos 1.005 reais, rendimento de 5 reais mais a variação da TR.
Com a nova regra, sempre que a Selic for igual ou menor a 8,5%, a remuneração da poupança será de 70% da Selic mais a TR. Ou seja, com a Selic a 8,5%, a poupança terá rendimento de 5,95% ao ano mais a TR, totalizando 6,17%. Portanto seu investimento de R$ 10 mil renderia, após o período de um ano, R$ 617.





Medida Positiva

Para o economista André Perfeito, da Gradual Corretora, que concorda com a nova regulamentação, a taxa básica de juros é uma herança da década de 80, ao passo que a poupança é centenária, por isso a caderneta, tal como a conhecemos, não se sustenta mais em um ambiente em que outros investimentos acabam em desvantagem. “Flexibilizar a rigidez da poupança com uma taxa flutuante, como a Selic, é importante e facilita movimentos mais ousados com relação à própria taxa”, enfatiza André Perfeito.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, também avalia positivamente a mudança. “Essa medida não deixa de ser um avanço num governo que estava muito pautado em medidas de curto prazo”, comentou, elogiando o fato de a resolução ter sido "para todos".
A caderneta de poupança continua tendo uma remuneração adequada na concorrência com outros ativos financeiros, segundo a avaliação de Luiz Roberto Cunha economista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). “E se você tiver que ter uma alta da Selic, por alguma razão, como inflação mais alta, não dará à poupança um ganho maior do que ela tinha no passado”, explica.
O economista ainda esclareceu que quando a Selic cai, todas as outras aplicações financeiras de juros têm remuneração menor. Por isso, não havia razão para o aplicador na poupança ter uma remuneração garantida mais alta.
O economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) Rubens Sardenberg, comentou que a alteração permite que a Selic continue em queda. “Isso porque, se o rendimento da poupança (que não paga Imposto de Renda) se tornar mais atrativo que o dos títulos públicos, o governo teria dificuldade em vendê-los para rolar sua dívida”, diz.

Como é definida a taxa Selic?

Quem estabelece a taxa é o Comitê de Política Monetária (Copom), um órgão composto pelos oito membros da Diretoria Colegiada do Banco Central e liderado pelo presidente da autoridade monetária – atualmente, Alexandre Tombini.

Após a medida provisória

Contrariando o receio da maioria dos investidores inexperientes, o ano de 2012 deverá ser de captação recorde para a caderneta de poupança. Bastam pouco mais de R$ 2 bilhões em novos depósitos para que o montante de aplicações, descontados os resgates, supere os R$ 38,7 bilhões registrados em 2010, é o que aponta o economista Marcelo d’Agosto.
 “O interesse dos investidores pela tradicional aplicação tem sido muito grande”, diz d’Agosto. O economista disse ainda que desde que as mudanças nas regras de remuneração foram anunciadas, em maio, a captação explodiu. O ritmo médio de entrada de recursos é de R$ 5,4 bilhões por mês e, no ano, as aplicações somam mais de R$ 36 bilhões.
Portanto, a medida do Banco Central não diminuiu o rendimento da poupança, apenas tornou possível a concorrência mais justa entre este e outros investimentos, facilitando o rolar da dívida para o governo.


Fonte: Uol/Ig/Exame/Época/Veja

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